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Leitura de 2013

05.12.13

Depois de mais de meio ano dedicado quase exclusivamente ao Direito, e depois de (finalmente!) ter tempo para ler algo que não envolvesse sociedades comerciais, contratos de trabalho, acções executivas ou heranças de difícil - e matemática - solução, lá consegui "agarrar-me", mais uma vez, a Miguel Sousa Tavares.

Madrugada Suja. Ali estava ele, pousado na estante. O primeiro a contar da esquerda, o cheiro a novo, as folhas ainda virgens, as expectativas em alta. Ainda que longe de ser um sucessor de Equador ou de Rio das Flores, Madrugada Suja não é apenas mais um livro politiqueiro, de temas e abordagens corriqueiras, Madrugada Suja é o retrato fiel do Portugal que ajudámos a construir, onde "Todos estavam endividados mas felizes: O Estado, as autarquias, os cidadãos." Actual desde a primeira página, simples e directo, sem medos, sem grandes floreados ou metáforas como se quer em temas tão delicados como a história, o poder e a política. De leitura de um só fôlego, carregado de um misticismo que só nos larga quando chegamos à última página, levando-nos a criar vozes na nossa cabeça para cada personagem, ou a imaginar as Unidades Colectivas de Produção. Todos nós conhecemos um Luís Morais, o Filipe podia ser qualquer um de nós (quem nunca exagerou numa noite de queima das fitas?) e Medronhais da Serra parece ser a metáfora perfeita para tantas e tantas aldeias marcadas pelo esquecimento já de anos ditatoriais: "Se ao menos a televisão tivesse chegado a tempo a Medronhais da Serra, talvez ela ainda fosse viva hoje.". Madrugada Suja é a resposta aos porquês com que nos questionamos diariamente. Das ilusões trazidas pelo 25 de Abril às ilusões provocadas pela entrada na União Europeia, onde "Bruxelas financiava", implodindo nos dias de hoje, "Um Portugal de aldeias mortas, de comerciantes falidos, de agricultores sentados à berma das estradas construídas com os dinheiros da Europa...". Os jogos, os interesses económicos sobrepostos aos interesses sociais, o dinheiro sujo e fácil que parece capaz de comprar tudo, a corrupção desses Luíses Morais que nos governam e que nos parecem diferentes dos outros políticos e, por isso, até votamos neles.

"No princípio há uma madrugada suja..." que nunca se chega a transformar em dia. O Portugal de hoje mergulhado nessa escuridão enlameada, quem sabe à procura que mais Filipes percam os medos e ser ergam para dizer não, voltando a colocar a venda nos olhos da justiça ou, simplesmente, até que a vergonha cale os Luíses Morais. Ou que talvez se transforme em aurora, afinal, "A vida é feita de pequenas vitórias..." 

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9 comentários

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De João a 25.12.2013 às 11:10

Contracto não existe. Por isso é que sou a favor do acordo ortográfico, as pessoas tendem a colocar consoantes mudas onde não existem...
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De Advogada do Diabo a 25.12.2013 às 11:32

My mistake! Infelizmente é um erro que cometo demasiadas vezes. Obrigada pelo reparo!
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De sweet a 25.12.2013 às 13:27

Muito obrigada e igualmente! Estive agora a ler os posts dos restantes vencedores e está visto que vou ter muito para ler no próximo ano :)

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De Advogada do Diabo a 28.12.2013 às 10:02

É verdade! Sem esquecer todos aqueles que participaram com excelentes propostas e não saíram vencedores. :)
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De José Auzendo a 28.12.2013 às 20:36

E a senhora "advogada" também acha que é verdade que, em 1960 e picos, lá na serra de Medronhais, as mulheres/noivas casavam com vestidos curtos? É o que o autor nos diz a págs. 63: "...nada ficou que não (sic) uns dois ou três vestidos curtos (...) entre os quais o vestido de casamento ..." da mãe do Filipe. Não se casariam já de mini-saia?

E também será verdade que, "nesse tempo", em 1971, lá "na aldeia" de Medronhais, estavam tão atrasados que " morria-se sem TAC"? (pág. 32). E eu a pensar que o primeiro aparelho de TAC, a nível mundial, só foi construído na Inglaterra uns tempinhos depois, e só chegou a Portugal uns tempões mais tarde...
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De Advogada do Diabo a 31.12.2013 às 11:09

Relativamente a tais aspectos terá de inquirir o autor. Eu limitei-me apenas a participar num desafio, em relação ao meu livro preferido. Obviamente que tais pormenores temporais me passam completamente ao lado. "Madrugada Suja" não deixa de ser, quanto a mim, um bom (não excelente como outros do autor) livro.
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De RapazHonesto a 01.01.2014 às 10:34

Como funciona o mundo! Boas entradas!

http://o-mundo-dos-espelhos.blogspot.pt/
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De Margarida a 01.01.2014 às 18:01

Excelente escolha!
Também gostei de "Madrugada Suja"
Parabéns

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