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Das greves

20.06.13

Tive a sorte (ou não) de estudar num colégio semi-privado. Nunca me achei melhor nem pior que outros colegas meus que estudavam na escola pública, mas lembro-me de nunca, durante os sete anos em que lá estudei, ter ouvido a palavra "greve". Não que os professores não estivessem descontentes com o ensino, com o ministro da educação, com as leis da educação (ninguém está contente durante sete anos), mas naquela altura a greve não era uma "moda". Tive excelentes professores, pessoas de quem me orgulho e a quem muito devo grande parte daquilo que sou; pessoas que contribuíram para a minha formação intelectual e pessoal; pessoas que me passaram valores fundamentais, sobretudo justiça. Pergunto-me: qual é hoje o conceito de justiça para esses professores? A greve há muito que deixou de ser um meio de reivindicar os direitos. A greve é hoje um meio egoísta de chamar a atenção, um meio de vitimização e, pior, a greve é hoje boicote! Não sou contra o direito à greve. Sou contra a forma de greve que se pratica, e a greve dos professores é exemplo disso. Fazer greve no dia de um exame nacional (que só por coincidência é o exame que atinge todos os alunos do 12ºano) que pode condicionar a entrada de muitos alunos na universidade é o expoente máximo do ridículo em que caímos. A questão não é fazermo-nos ouvir, lutar por aquilo em que achamos justo, pegar nas armas e sair à rua. Não. Não foi isto que os professores pretenderam. O caminho seguido foi o mais fácil: pegar em alunos e transformá-los em verdadeiras cobaias de uma experiência que, em alguns casos, poderá resultar muito mal. Qual é o conceito de justiça para estes professores? Como pode, amanhã, um professor ser respeitado por parte dos alunos quando esse respeito não é mútuo? E se amanhã uma turma boicotar um teste invocando estar apenas a "exercer o seu direito à greve"? Há uma diferença entre exercer o direito à greve e boicotar; há uma diferença entre exercer o direito à greve e violar os direitos dos outros. Há, sobretudo, falta de brio profissional. É isto que me assusta. Saber que ali, à minha frente, durante os 90 minutos de uma aula está alguém que se "está nas tintas" para o meu futuro. Alguém que coloca os seus interesses pessoais e profissionais acima de tudo. É isto que me assusta. Saber que, um dia, os meus filhos serão uns "ratos de laboratório"; uns "seres" sem o direito a poder fazer um exame de forma digna.

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8 comentários

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De Maria Araújo a 21.06.2013 às 08:50

Isto que aqui escreveu, é de uma grande injustiça: "pegar em alunos e transformá-los em verdadeiras cobaias ".
Sem mais palavras.

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De Advogada do Diabo a 21.06.2013 às 16:31

Não foi isso que foi feito? Então porque não marcar a greve para um outro dia? Havia, de facto, necessidade de se violar os direitos dos alunos? Havia necessidade de boicote?
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De Alice Alfazema a 21.06.2013 às 09:18

A falta de experiência é o argumento da frontalidade.
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De Advogada do Diabo a 21.06.2013 às 16:29

A "falta de experiência" enquanto professora, mas a experiência enquanto aluna. A falta de experiência nunca poderá ser um argumento válido para impedir alguém de manifestar uma opinião.
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De Alice Alfazema a 22.06.2013 às 11:30

"A greve há muito que deixou de ser um meio de reivindicar os direitos. A greve é hoje um meio egoísta de chamar a atenção, um meio de vitimização e, pior, a greve é hoje boicote!"

Isto é a falta de experiência, de quem vive num tempo em que muitas coisas foram conquistadas, mas não sabem como, de quem tem e não sabe de onde vem, de quem pensa que a História não se repete, isto é um argumento sem fundamento na experiência, baseado no senso comum. Daqui a alguns anos isso passa. Isso é a experiência.
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De Advogada do Diabo a 22.06.2013 às 17:14

O meu "problema" ao manifestar a minha opinião acerca da greve não é a minha "falta de experiência", é a falta de argumentos leninistas-trotskistas. Se fosse um texto aplaudindo a greve certamente que a "falta de experiência" não importaria.
Mas é verdade, felizmente tive a sorte de nascer no início dos anos 90, quando tudo era fresco. Sei que a história é cíclica, se assim não fosse como se justificaria a crise económico-financeira tão semelhante à de 1929?

Bom fim-de-semana!
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De a 21.06.2013 às 12:12

De acordo. Já agora convido-a a visitar o meu blog e ver o que escrevi sobre o assunto.

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