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Ainda mal sabia ler e já gostava de ter um livro entre as mãos. Podia ficar horas a olhar para as imagens e, através delas, contar a minha própria história. Talvez por isso nunca tivesse tido dúvidas quando me perguntaram que área queria seguir no secundário. Ou ainda quando me perguntavam o que queria que o Pai Natal me oferecesse. A resposta era sempre única: livros. Nunca gostei de barbies ou de casas de bonecas, sempre preferi livros, independentemente do género. Era fã de Harry Potter e de Uma Aventura. Entretanto cresci e amadureci em termos de géneros. Hoje prefiro clássicos, romances e alguns policiais. Mas sempre em papel, nada de e-books. Foi com grande surpresa - e contentamento - que ao digitar blogs me apercebi que sido uma das cinco felizardas vencedoras de um desafio proposto pelo blog dos blogs relativo ao livro que mais me marcou neste ano. Assim sendo, um grande obrigado a toda a equipa por tão fantástico presente, com os votos de um feliz e santo Natal!

 

 

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Leitura de 2013

05.12.13

Depois de mais de meio ano dedicado quase exclusivamente ao Direito, e depois de (finalmente!) ter tempo para ler algo que não envolvesse sociedades comerciais, contratos de trabalho, acções executivas ou heranças de difícil - e matemática - solução, lá consegui "agarrar-me", mais uma vez, a Miguel Sousa Tavares.

Madrugada Suja. Ali estava ele, pousado na estante. O primeiro a contar da esquerda, o cheiro a novo, as folhas ainda virgens, as expectativas em alta. Ainda que longe de ser um sucessor de Equador ou de Rio das Flores, Madrugada Suja não é apenas mais um livro politiqueiro, de temas e abordagens corriqueiras, Madrugada Suja é o retrato fiel do Portugal que ajudámos a construir, onde "Todos estavam endividados mas felizes: O Estado, as autarquias, os cidadãos." Actual desde a primeira página, simples e directo, sem medos, sem grandes floreados ou metáforas como se quer em temas tão delicados como a história, o poder e a política. De leitura de um só fôlego, carregado de um misticismo que só nos larga quando chegamos à última página, levando-nos a criar vozes na nossa cabeça para cada personagem, ou a imaginar as Unidades Colectivas de Produção. Todos nós conhecemos um Luís Morais, o Filipe podia ser qualquer um de nós (quem nunca exagerou numa noite de queima das fitas?) e Medronhais da Serra parece ser a metáfora perfeita para tantas e tantas aldeias marcadas pelo esquecimento já de anos ditatoriais: "Se ao menos a televisão tivesse chegado a tempo a Medronhais da Serra, talvez ela ainda fosse viva hoje.". Madrugada Suja é a resposta aos porquês com que nos questionamos diariamente. Das ilusões trazidas pelo 25 de Abril às ilusões provocadas pela entrada na União Europeia, onde "Bruxelas financiava", implodindo nos dias de hoje, "Um Portugal de aldeias mortas, de comerciantes falidos, de agricultores sentados à berma das estradas construídas com os dinheiros da Europa...". Os jogos, os interesses económicos sobrepostos aos interesses sociais, o dinheiro sujo e fácil que parece capaz de comprar tudo, a corrupção desses Luíses Morais que nos governam e que nos parecem diferentes dos outros políticos e, por isso, até votamos neles.

"No princípio há uma madrugada suja..." que nunca se chega a transformar em dia. O Portugal de hoje mergulhado nessa escuridão enlameada, quem sabe à procura que mais Filipes percam os medos e ser ergam para dizer não, voltando a colocar a venda nos olhos da justiça ou, simplesmente, até que a vergonha cale os Luíses Morais. Ou que talvez se transforme em aurora, afinal, "A vida é feita de pequenas vitórias..." 

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